O que anos de vistoria em fábricas, hotéis e restaurantes no Rio Grande do Sul me ensinaram sobre a falsa sensação de segurança dos extintores de incêndio
Por Jorge Guerra Fialho — Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho | Fialho Prevenção de Incêndio — Gramado, RS
“Se eu tiver o extintor na parede, estou protegido?”
Essa pergunta — ou variações dela — é uma das que mais ouvi ao longo de décadas visitando empresas, hotéis, restaurantes e fábricas no Rio Grande do Sul como engenheiro de segurança do trabalho.
E a resposta honesta é: não necessariamente.
Ter um extintor instalado é o primeiro passo. Mas entre ter um extintor na parede e estar genuinamente protegido existe uma distância que muitos gestores não percebem — até o momento em que precisam do equipamento e ele falha.
A caça ao extintor
Antes de fundar a Fialho Prevenção de Incêndio, atuei por muitos anos como engenheiro de segurança do trabalho, visitando regularmente empresas de diferentes segmentos — fábricas, hotéis, restaurantes, estabelecimentos comerciais — para verificar as condições de segurança.
Nessas visitas, desenvolvi uma habilidade que nunca imaginei que precisaria: a caça ao extintor.
Não é exagero. Era literalmente o que eu fazia em boa parte das vistorias.
Extintores instalados atrás de prateleiras — completamente inacessíveis em caso de emergência. Extintores embaixo de bancadas de cozinha, escondidos por caixas e utensílios acumulados. Extintores com o manômetro na zona vermelha, indicando ausência de pressão há meses ou até anos. Extintores com o lacre rompido — sinal de que haviam sido acionados anteriormente e nunca foram recarregados. Extintores do tipo errado para o risco do ambiente onde estavam instalados.
A situação se repetia em estabelecimentos de diferentes portes e segmentos. E a reação dos gestores quando eu apresentava o que havia encontrado era quase sempre a mesma: uma expressão de espanto genuíno, seguida de uma frase que ficou gravada na minha memória:
“Mas eu tenho extintor na parede…”
Por que o extintor na parede não é suficiente
O extintor de incêndio é um dos equipamentos mais simples e eficazes de combate a incêndio em fase inicial. Quando usado corretamente, nos primeiros segundos de um foco de fogo, pode evitar que um pequeno incidente se transforme em um sinistro de grandes proporções.
Mas para que essa proteção seja real — e não apenas aparente — quatro condições precisam ser atendidas simultaneamente.
Condição 1 — O extintor precisa estar carregado e dentro do prazo
Todo extintor tem uma validade de carga que varia conforme o tipo e o fabricante, mas em geral exige recarga anual ou bienal. O manômetro na zona verde indica pressão adequada. O manômetro na zona vermelha indica que o extintor está descarregado — inutilizável.
Além da pressão, o lacre intacto é fundamental. Um lacre rompido indica que o extintor foi acionado — total ou parcialmente — e precisa de recarga imediata, independentemente do que o manômetro indique.
Condição 2 — O extintor precisa estar instalado no lugar certo, visível e acessível
A Resolução Técnica CBMRS nº 06 e as normas ABNT NBR 12693 estabelecem requisitos específicos para a instalação de extintores: altura de fixação, distância máxima de caminhamento, sinalização obrigatória e ausência de obstáculos no acesso.
Um extintor instalado atrás de uma prateleira, bloqueado por móveis ou escondido num canto sem sinalização pode até estar carregado — mas em uma emergência real, quando a fumaça reduz a visibilidade e o pânico toma conta, ele simplesmente não vai ser encontrado a tempo.
Condição 3 — O extintor precisa ser do tipo adequado para o risco do ambiente
Extintores são classificados conforme as classes de fogo que combatem. O extintor de água pressurizada combate incêndios em materiais sólidos, mas pode ser fatal se usado em equipamentos elétricos energizados. O extintor de CO₂ é indicado para equipamentos elétricos, mas ineficaz em incêndios de líquidos inflamáveis em grandes quantidades. O extintor de pó ABC é o mais versátil, mas deixa resíduos que podem danificar equipamentos eletrônicos.
Instalar o tipo errado de extintor em um ambiente específico — uma cozinha industrial, uma sala de servidores, um depósito de produtos químicos — não apenas deixa o ambiente desprotegido como pode agravar uma emergência.
Condição 4 — Alguém precisa saber usar o extintor
O extintor mais moderno e bem posicionado é inútil nas mãos de alguém que nunca o operou. Nos primeiros segundos de um incêndio em fase inicial — quando o extintor pode ser eficaz — não há tempo para ler instruções ou tentar descobrir como retirar o pino de segurança.
O treinamento básico de uso de extintores, incluído no Curso de Brigada de Incêndio conforme a RT CBMRS nº 15/2023, é o que transforma um equipamento na parede em uma ferramenta real de proteção.
O que a manutenção preventiva resolve
As quatro condições descritas acima não se mantêm sozinhas ao longo do tempo. Extintores perdem pressão. Lacres são rompidos por acidente. Equipamentos são reposicionados durante reformas e nunca voltam para o lugar. Funcionários treinados saem da empresa e os novos nunca recebem orientação.
Por isso, a manutenção preventiva periódica dos sistemas de incêndio não é um luxo — é uma necessidade operacional e uma obrigação legal.
A Fialho Prevenção de Incêndio oferece contratos de Manutenção Preventiva de Incêndio para restaurantes, hotéis, pousadas, fábricas e estabelecimentos comerciais em Gramado, Canela, Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, Três Coroas, Igrejinha e Taquara.
A cada visita trimestral, inspecionamos todos os extintores — verificando pressão, lacre, validade, tipo, posicionamento e sinalização — além dos demais sistemas de prevenção instalados. Emitimos um relatório técnico assinado por engenheiro habilitado, válido para apresentação ao Corpo de Bombeiros do RS em vistorias e renovações do APPCI.
Conformidade legal x proteção real
É importante distinguir dois conceitos que frequentemente se confundem.
A conformidade legal — ter o PPCI aprovado, os extintores instalados conforme o projeto, os certificados de treinamento em dia — é obrigatória e necessária. Sem ela, o estabelecimento está sujeito a autuações, multas e interdição pelo Corpo de Bombeiros do RS.
A proteção real vai além da conformidade. É o resultado de sistemas que funcionam todos os dias — não apenas na semana da vistoria — e de pessoas que sabem como agir quando precisam.
O gestor que confunde os dois — que acredita que ter o extintor na parede é suficiente — está protegido no papel. Mas na prática, está exposto.
Seu estabelecimento está realmente protegido?
Se você é proprietário ou gestor de um restaurante, hotel, pousada ou estabelecimento comercial em Gramado, Canela, Nova Petrópolis e região, faça um teste simples agora.
Vá até o extintor mais próximo. Verifique o manômetro — está na zona verde? O lacre está intacto? Está visível e acessível, sem obstáculos? Você sabe qual tipo de fogo ele combate?
Se tiver qualquer dúvida em alguma dessas perguntas, entre em contato com a Fialho Prevenção de Incêndio.
Elaboramos e executamos projetos completos de PPCI, realizamos manutenção preventiva periódica e oferecemos treinamentos de brigada de incêndio para estabelecimentos em Gramado, Canela, Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, Três Coroas, Igrejinha, Taquara e região.
Entre em contato pelo WhatsApp (54) 98115-9229 ou pelo e-mail jorge@fialhoppci.com.br.
Jorge Guerra Fialho é Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho, especialista em Prevenção e Combate a Incêndio, com mais de 40 anos de experiência no Rio Grande do Sul. É responsável técnico da Fialho Prevenção de Incêndio Ltda., com sede em Gramado, RS.